A Caixa do Desejo: tornar-se quem se é
AOS MEUS PACIENTES
9/18/20251 min read


Muitas vezes, tentamos nos encolher para caber em caixas que não nos pertencem. Essas caixas representam expectativas externas, exigências do Outro, lugares onde buscamos reconhecimento e amor, mas que, na verdade, nos negam. O esforço de caber onde não há espaço não é apenas desconfortável: é repetição. Repetição de padrões inconscientes de não merecimento, de silenciamento e de busca de validação em territórios de falta.
Na psicanálise, sabemos que o sujeito se constitui na relação com o Outro. Se eu aceito qualquer caixa, é porque talvez ainda não tenha me autorizado a ocupar a minha. A caixa justa aquela em que posso sentar, respirar e estar inteiro simboliza o encontro com meu próprio desejo, a possibilidade de habitar o espaço onde meu eu verdadeiro se reconhece.
Lacan nos lembra que “o desejo do homem é o desejo do Outro”. Quando me esforço em caber em caixas pequenas demais, o que está em jogo não é apenas adaptação, mas a tentativa inconsciente de satisfazer um Outro que nunca se satisfaz. É somente quando reconheço meu próprio desejo que posso escolher a caixa que me cabe, onde não me perco, mas me encontro.
Nietzsche, em sua filosofia, dizia: “Torna-te quem tu és.” Esse chamado ecoa na psicanálise: ocupar a própria caixa é um ato de afirmação, não de egoísmo. É escolher não se perder em encaixes que não foram feitos para mim, mas me posicionar no lugar onde posso existir sem deformar minha essência.
Quando me posiciono na caixa que me cabe, eu não afasto eu filtro. Só permanece quem reconhece o meu espaço e aceita se relacionar comigo a partir dele. 🌿
Se você sente que está tentando caber em caixas que não são suas, a psicoterapia pode ser o começo para se encontrar. Vamos juntos?
