A mesma dor, novos sabores
AOS MEUS PACIENTES
9/11/20251 min read


Na superfície, parecia sempre a mesma dor. Pesada. Repetitiva. Como uma bola de concreto carregada no peito. Mas ao entrar em análise, essa bola começou a se desfazer. Camada por camada, ela foi revelando cores, texturas, sabores. Raiva que escondia medo. Vergonha que nascia da exigência. Culpa que vinha do cuidado mal direcionado. A psicanálise não muda o que aconteceu — mas muda o olhar sobre o que aconteceu.
É nesse movimento que a dor deixa de ser uma massa disforme... e se transforma em partes compreensíveis, digeríveis. Cada sessão abre espaço para o insight:
Aquela fagulha de percepção que transforma.
A mesma história, com nova narrativa.
A mesma dor, agora com sentido.
Iniciar um processo analítico é começar a ver. É quando o paciente deixa de repetir para começar a compreender. É o ponto onde nasce o simbólico. É onde a análise, de fato, começa.
