Adolescência e identidade: o impacto da família na saúde mental
ADOLESCENTES
9/11/20251 min read


A adolescência é um período de profundas transformações — físicas, cognitivas e emocionais. Mais do que mudanças visíveis, é um tempo de descobertas internas e construção da identidade.
No contexto clínico e educacional, é comum que adolescentes relatem incômodos com a forma como são vistos ou permitidos a se expressar. E, embora isso possa parecer simples aos olhos adultos, representa algo muito sério quando falamos de saúde mental. Muitas vezes, situações aparentemente ligadas à estética — como a escolha de roupas, do cabelo ou da forma de se expressar — escondem conflitos mais profundos de identidade e pertencimento. Quando o jovem não se sente livre para ser quem é dentro do ambiente familiar, pode desenvolver insegurança, tristeza e sentimentos de rejeição.
Sabemos, com base em teóricos como Erik Erikson e Donald Winnicott, que o processo de formação da identidade depende do ambiente em que o adolescente está inserido.
Quando há escuta, afeto e liberdade responsável, o jovem cresce com segurança emocional.
Quando há repressão, medo ou controle excessivo, o que deveria ser construção pode se transformar em sofrimento.
A negação da identidade pode gerar:
Baixa autoestima
Tristeza profunda
Isolamento
Pensamentos autodepreciativos
Em casos mais graves, ideação suicida
A Psicologia nos mostra que um ambiente suficientemente bom é aquele que permite ao adolescente experimentar, errar e ser escutado — sem julgamentos. Afinal:
Como crescer com autonomia se não posso nem escolher minha própria roupa?
💬 “O problema da identidade é engrenado na questão da segurança.”
— Donald Winnicott (1971)
Como psicóloga, acredito que acolher é mais potente do que corrigir.
E que a escuta salva mais do que o silêncio protege.
Se você é mãe, pai ou responsável, talvez essa seja a hora de abrir uma nova conversa em casa. Uma conversa onde o respeito e o afeto sejam maiores do que o medo.
