Amar é um risco. Não amar também
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3/26/20262 min read


A maioria das pessoas não tem medo do amor.
Tem medo do que pode acontecer depois dele.
Medo de não ser escolhido.
Medo de não ser suficiente.
Medo de ser abandonado.
Medo de gostar mais do que o outro.
Medo de se machucar de novo.
E, então, muita gente começa a tentar garantir o amor antes mesmo que ele exista.
Quer garantias, certezas, promessas, segurança, controle.
Mas o amor não é um contrato de proteção contra a dor.
O amor é, inevitavelmente, um lugar de risco!
A psicanalista Ana Suy, no livro A gente mira no amor e acerta na solidão, trabalha uma ideia muito importante: muitas vezes, não entramos em um relacionamento porque queremos amar alguém, mas porque não queremos mais nos sentir sozinhos.
E isso muda tudo.
Porque quando alguém entra em um relacionamento para fugir da solidão, começa a exigir do amor algo que o amor não pode dar: a cura da própria falta, a cura da própria angústia, a garantia de que nunca mais vai doer.
Mas o amor não cura a solidão estrutural do ser humano.
Ele não preenche todas as faltas.
Ele não resolve a nossa história.
Ele não apaga os nossos medos.
O amor não vem para nos completar.
O amor vem para nos encontrar.
E talvez uma das coisas mais difíceis da vida adulta seja entender isso:
que amar não é deixar de ser só.
Amar é aprender que é possível estar com alguém sem deixar de ser quem se é.
Muitas pessoas não sofrem apenas pelos amores que deram errado.
Sofrem, principalmente, pelos amores que não viveram.
Porque o medo de sofrer pode ser tão grande, que a pessoa prefere não começar.
Prefere não se envolver.
Prefere não se entregar.
Prefere não sentir.
Mas existe uma dor silenciosa que quase não se fala:
a dor de quem nunca tentou.
A dor de quem foi embora antes da história começar.
A dor de quem sente, mas não fala.
A dor de quem gosta, mas se afasta.
A dor de quem quer, mas tem medo.
Às vezes, o que mais machuca não é quando o amor acaba.
Às vezes, o que mais machuca é o amor que a gente não viveu por medo de tentar.
Amar é arriscado.
Mas viver sem amar também é.
No fim, a grande pergunta talvez não seja:
“E se der errado?”
Talvez a pergunta seja:
“E se eu nunca tentar e passar a vida inteira sem saber como teria sido?”
Porque tem solidões que vêm da ausência de alguém.
Mas tem solidões que vêm da ausência de nós mesmos na nossa própria vida.
E essa, talvez, seja a mais dolorosa de todas.
