Depois do golpe do falso advogado: o impacto emocional e a reconstrução da confiança

AOS MEUS PACIENTES

10/21/20253 min read

Quando o golpe acontece, ele não termina na transferência bancária. O verdadeiro impacto começa depois, no silêncio, na culpa e na solidão que tomam conta de quem percebe ter sido enganado. A primeira reação costuma ser a incredulidade: “Como eu, uma pessoa tão atenta, pude cair nisso?” É o choque de quem se vê diante de algo que fere não apenas a conta bancária, mas o orgulho, a autoestima e o senso de segurança.

O que muitas pessoas não percebem é que, depois do golpe, o que mais dói não é a perda material, mas a perda simbólica, a de si mesma. A vítima sente vergonha, impotência e uma profunda desconfiança. E é nesse ponto que a psicologia tem um papel essencial: ajudar essa pessoa a compreender que o golpe não foi uma falha de inteligência, mas um ataque emocional cuidadosamente planejado.

Muitas vítimas descrevem esse momento como uma mistura de raiva, vergonha e um sentimento quase infantil de ter sido enganadas. Elas se isolam, com medo do julgamento. E o silêncio, que inicialmente parece proteção, se transforma em prisão. A vergonha é uma emoção poderosa e, quando não é acolhida, paralisa. O que era uma fraude passa a se tornar um trauma invisível, acompanhado de ansiedade, insônia, desconfiança e, em alguns casos, sintomas depressivos.

Do ponto de vista clínico, é essencial validar a dor da vítima e ressignificar a experiência, mostrando que o golpe não é reflexo de incapacidade, mas de uma manipulação emocional intencional e bem construída. Acolher é reconstruir. E reconstruir é devolver à pessoa o direito de confiar novamente, em si e no outro.

Não é raro que, após o golpe, a pessoa desenvolva um estado de hipervigilância. Ela passa a desconfiar de tudo e de todos, como se o mundo inteiro fosse um campo minado. O corpo reage com alerta a cada ligação, a cada mensagem, como se o perigo estivesse sempre à espreita. Essa é uma tentativa do cérebro de evitar uma nova dor, mas viver em alerta constante é exaustivo. O acolhimento psicológico ajuda a encontrar o equilíbrio entre proteger-se e viver de novo, devolvendo o sentido de segurança interna que o golpe roubou.

O processo terapêutico, nesse caso, não busca apagar o que aconteceu, mas transformar a experiência em aprendizado. O psicólogo ajuda a nomear as emoções, a entender os gatilhos, a restituir a autoconfiança e a reorganizar o pensamento. É um cuidado que devolve autonomia emocional, permitindo que a pessoa volte a confiar nas próprias decisões, sem medo de errar outra vez.

Porque o golpe rouba o dinheiro, mas também rouba a confiança, a segurança e a autoestima. E o acolhimento psicológico devolve o sentido, a compreensão e a possibilidade de seguir. A psicologia, aqui, não atua apenas como análise, ela atua como cuidado reparador, ajudando a pessoa a se olhar com mais compaixão e menos culpa, a entender que a vulnerabilidade não é fraqueza, mas parte da natureza humana.

Ninguém está livre de ser enganado, mas todos podemos aprender a nos reconstruir depois. O golpe pode ter tirado algo de você, mas o que ele não pode tirar é a capacidade de recomeçar. E é justamente aí que a psicologia entra: no momento em que a razão se silencia e o coração precisa ser ouvido novamente.

Se você passou por algo semelhante e sente que ainda carrega o peso dessa experiência, não caminhe sozinha(o).
O acolhimento psicológico é um espaço de escuta, reconstrução e reencontro com o que foi perdido — o seu valor, a sua confiança e a sua paz.

💬 Entre em contato comigo.
Vamos, juntos, ressignificar essa dor e transformar o que hoje machuca, em um novo ponto de partida.