Dor é inevitável, sofrimento não precisa ser — cuide da saúde mental no trabalho

TRABALHO E SAÚDE MENTAL

9/23/20251 min read

A dor é um fenômeno imediato, uma resposta orgânica que sinaliza que algo não vai bem. É localizada, mensurável, muitas vezes até tratável com medicamentos. A dor aponta para o corpo.

O sofrimento, por sua vez, nasce no campo do simbólico. Ele se prolonga no tempo, se infiltra no pensamento e na linguagem, e encontra formas de se repetir, ainda que a dor inicial já tenha passado. O sofrimento não é apenas sentir, é significar. É o modo como o sujeito interpreta, elabora ou não a sua dor.

Na psicanálise, entendemos que a dor pode ser a porta de entrada para o sofrimento psíquico. Uma perda, uma decepção, uma ausência: cada uma delas carrega um vazio que, se não elaborado, pode se tornar um fardo silencioso. Enquanto a dor pede cuidado imediato, o sofrimento exige escuta e simbolização.

E é justamente aí que saúde mental e produtividade se encontram. No ambiente de trabalho, vemos colaboradores que carregam dores invisíveis: insônia, ansiedade, luto, frustrações. Quando essas dores não encontram espaço de fala, se transformam em sofrimento afetando relações, motivação, criatividade e desempenho.

A dor é inevitável, mas o sofrimento pode ser ressignificado. O que faz diferença não é negar o impacto, mas abrir espaço para que aquilo que dói encontre palavra, elaboração e cuidado. Porque quando o sujeito pode falar, ele também pode transformar.

Cuidar da saúde mental nas organizações não é um luxo, é uma estratégia de sobrevivência: onde o sofrimento é silenciado, a produtividade adoece; onde há escuta, o trabalho floresce.

Empresas que investem em saúde mental criam ambientes mais produtivos, humanos e sustentáveis. Abra espaço para a escuta: seu time agradece e seus resultados também.