Famílias Disfuncionais: A Dor Que Mora no Excesso

AOS MEUS PACIENTES

10/7/20252 min read

Nem toda família disfuncional é marcada pela ausência.
Às vezes, ela está completa pai, mãe, filhos, casa, mesa de jantar e até um álbum cheio de sorrisos.
Mas basta olhar com um pouco mais de sensibilidade para perceber que há algo fora do lugar.
Não é o que falta é o que transborda em excesso: controle, culpa, crítica, silêncio e medo.
São lares que cumprem o papel social da “família perfeita”, mas falham no essencial: o acolhimento emocional.

A disfunção não está na estrutura, mas na dinâmica.
Está na forma como se ama, como se fala, como se pune, como se cala.
Um lar disfuncional é aquele onde a criança aprende que seus sentimentos são perigosos, que suas vontades são exageros, que seu choro é fraqueza.
É aquele onde o afeto é medido pela obediência, onde o perdão é pedido, mas o erro nunca é esquecido.
É uma escola de silenciamento.

Do ponto de vista psicanalítico, o ambiente é o primeiro espelho do sujeito.
É nele que o eu se constrói e passa a entender o que é amor, confiança e pertencimento.
Quando esse espelho está distorcido, o reflexo também se perde.
O adulto que nasce desse ambiente carrega uma dúvida constante: “será que o problema sou eu?”
E, na tentativa de reparar o que viveu, escolhe relações que o fazem repetir e não curar o padrão aprendido.
Trabalhos onde precisa se provar o tempo todo, parceiros que o fazem se sentir pequeno, amizades onde é sempre o suporte, nunca o centro.
É o inconsciente tentando encontrar o que faltou, ainda que na dor.

A autoestima, nesse contexto, não nasce frágil ela é enfraquecida.
É corroída por anos de invalidação, por palavras que diminuem, por gestos que confundem.
E, quando chega a fase adulta, a pessoa que veio de um lar disfuncional costuma ter medo da própria voz.
Sente culpa por se afastar, culpa por se impor, culpa até por tentar ser feliz.
Mas a culpa, na verdade, é o eco do ambiente que a formou não a sua essência.

Reconhecer isso é o primeiro passo.
Entender que certas dores não nasceram em você, mas foram plantadas em um terreno emocional doente, é abrir espaço para o autoconhecimento.
Buscar ajuda psicológica é interromper a repetição é escolher construir uma história onde o amor não machuca, o silêncio não pesa e o afeto não exige performance.

🌿 Se você cresceu em um ambiente onde o amor doía, saiba: é possível recomeçar.
A psicoterapia é o caminho para compreender o que pertence ao seu passado e o que ainda pode ser transformado.
Você não é o ambiente que te feriu, você é o adulto que pode escolher se curar dele.