Filhas de Mães Narcisistas: Quando o Amor se Confunde com Ferida

AOS MEUS PACIENTES

10/7/20252 min read

Crescer ao lado de uma mãe narcisista é viver uma infância onde o espelho sempre reflete o outro nunca a si mesma.
É aprender, desde cedo, que amor vem condicionado a desempenho, a obediência, a perfeição.
Nada é suficiente.
Nem o gesto, nem o silêncio, nem o esforço.
A filha de uma mãe narcisista cresce tentando alcançar um ideal inalcançável: o amor que não se doa, apenas se cobra.

A relação entre mãe e filha, quando atravessada pelo narcisismo, transforma-se num campo de disputa invisível.
Enquanto a filha busca aprovação, a mãe busca controle.
Enquanto uma quer ser vista, a outra teme perder o trono.
E, assim, cada conquista da filha um elogio recebido, uma amizade, um relacionamento, é lida pela mãe como ameaça, não como orgulho.

Como escreveu Elan Golomb, autora de Trapped in the Mirror (1992):

''A filha de uma mãe narcisista aprende a medir o amor pela aprovação. E quando o espelho materno quebra, resta o medo de nunca ser suficiente.”

Essa frase traduz com precisão a dor silenciosa de quem cresce tentando ser aceita e, no processo, se perde de si mesma.
Na vida adulta, essas mulheres carregam feridas sutis e persistentes:
a culpa por não corresponder, a autocrítica excessiva, a constante necessidade de validação, a dificuldade em confiar.
Muitas se tornam cuidadoras de todos, exceto de si.
Outras se perdem em relações onde revivem o mesmo ciclo: amam quem não as enxerga, tentam salvar quem as fere, aceitam migalhas por medo de perder o pouco de afeto que têm.

Mas é possível romper.
Romper não é deixar de amar. é aprender a amar sem se anular.
É compreender que o amor materno, quando adoecido, não define o valor da filha.
A cura começa quando ela entende que não é sua obrigação salvar a mãe, mas se salvar do espelho distorcido que herdou.

🌿 Se você se reconhece nesse texto, saiba: é possível reconstruir sua história.
A psicoterapia é um caminho seguro para compreender suas feridas, fortalecer sua identidade e libertar-se das amarras emocionais impostas pelo narcisismo materno.
Não carregue sozinha o peso do que não foi amor. permita-se ser acolhida, ouvida e reconstruída.