O cansaço de ter que se explicar

RELACIONAMENTOS

10/1/20251 min read

Relacionar-se implica atravessar diferenças. É natural que em alguns momentos seja preciso esclarecer intenções, alinhar expectativas, traduzir sentimentos. Mas quando isso se torna regra quando o vínculo exige explicações constantes sobre quem somos e sobre aquilo que nunca foi a nossa intenção, algo se perde.

O excesso de justificativas desgasta, porque coloca o sujeito em um lugar de defesa permanente. Não importa o que faça, o outro parece sempre interpretar a partir de suas próprias projeções, culpas e desconfianças. A comunicação, então, deixa de ser encontro e passa a ser tribunal.

Na Psicanálise, compreendemos que cada um lê o mundo a partir de suas marcas inconscientes. Há relações em que, por mais que eu me comunique de forma clara e assertiva, o outro insiste em me atribuir intenções que não são minhas. E, se além de não compreender, esse outro ainda me culpa, a relação deixa de ser espaço de crescimento e passa a ser espaço de adoecimento.

É preciso perceber quando o “diálogo” se transforma em um ciclo vicioso: eu explico, o outro distorce, eu me defendo, o outro acusa. Essa repetição corrói a autoestima e a espontaneidade, transformando o amor em um campo de batalha silencioso.

Relacionamento saudável não é aquele em que nunca há mal-entendidos, mas aquele em que não é necessário provar a todo instante a pureza das intenções. Onde há confiança, há espaço para falhas, para imperfeições e para a verdade de cada um.

“O cansaço maior não vem do que se faz, mas do que se tenta sustentar sem reciprocidade.”

Reflita: em seus vínculos, você tem precisado se explicar mais do que se expressar? A psicoterapia pode ajudar a reconhecer os padrões que aprisionam sua comunicação e abrir caminho para relações mais livres e autênticas.