Por que é tão difícil fechar a porta?

AOS MEUS PACIENTES

9/11/20252 min read

Com o tempo, a gente aprende que amadurecer não é sobre acumular anos, mas sobre escolher com mais consciência e suportar o que vem depois da escolha.
Sartre dizia que “escolher é perder”, e talvez por isso tanta gente prefira ficar na dúvida. Porque decidir implica abrir mão, e abrir mão dói.
Mas chega um momento em que a dor de insistir se torna maior do que a de deixar ir. É aí que nasce a maturidade.

Durante muito tempo, a gente se desgasta tentando ensinar o outro a nos entender, a nos amar da forma que gostaríamos, a ser alguém que ele talvez nunca consiga ser. A gente se vê num eterno jogo de respostas um fala, o outro rebate; um fere, o outro tenta se defender. Até que um dia, simplesmente, cansa.
Não por indiferença, mas por lucidez.
Porque você percebe que amor, respeito e reciprocidade não se arrancam à força. E que o silêncio, às vezes, é o limite mais alto da dignidade.

Fechar a porta, nesses casos, não é frieza. É cuidado.
É dizer para si mesmo: “eu já tentei o suficiente.”
É entender que o outro também tem o direito de não aprender e que você tem o direito de não insistir mais.
É reconhecer que maturidade é parar de revidar, de provar, de justificar, de gastar energia tentando mostrar quem você é para quem não quer enxergar.

A maturidade ensina que o amor não precisa de plateia, que a bondade não precisa ser filmada, e que paz é uma escolha.
Escolher a paz, às vezes, ''é escolher perder''.
Mas é perder o que não te cabia mais e ganhar a serenidade de não viver em guerra.

Não é sobre desistir das pessoas, mas sobre entender que há relações que nos adoecem, há ciclos que se repetem e há portas que precisam ser fechadas.
E quando você finalmente fecha uma, descobre que a vida é feita de passagens, não de prisões.
Que sair de cena, às vezes, é o ato mais bonito de amor próprio que alguém pode praticar.

Porque no fim, maturidade é isso:
Não é sobre quem tem razão é sobre quem tem paz.