Presente de Verdade: o Papel do Pai na Saúde Mental do Filho
ADOLESCENTES
10/8/20252 min read


Em muitas devolutivas clínicas com adolescentes, é comum ver a presença das mães.
Elas se envolvem, participam, escutam, questionam, pedem orientação e buscam compreender as mudanças que observam nos filhos.
Mas, com frequência, a cadeira do pai está vazia.
E essa ausência, mesmo quando não é física, deixa marcas profundas.
A paternidade é mais do que uma figura de autoridade ou de provisão.
Ela é uma referência de pertencimento, espelho e limite emocional.
Freud já apontava que a função paterna é a base da construção simbólica da lei, é o pai que ajuda o sujeito a entender o que é o “não”, a reconhecer o outro, a lidar com a frustração e a encontrar o seu lugar no mundo.
Mais tarde, Lacan reforçou essa ideia com o conceito de Nome-do-Pai: a função paterna como mediadora entre o desejo e a realidade, entre o impulso e a estrutura.
Ou seja, o pai é aquele que ajuda o filho a existir no mundo sem se perder de si mesmo.
Mas como exercer essa função se o pai não participa?
Se ele delega a escuta à mãe, terceiriza o vínculo e acredita que estar presente é apenas cumprir obrigações práticas?
Muitos pais confundem responsabilidade com presença, acreditam que pagar a escola, oferecer conforto e garantir o sustento são sinônimos de cuidado.
Mas cuidado é outra coisa.
Cuidado é encontro.
É olhar nos olhos.
É ouvir sem julgar.
É se interessar pela vida emocional do filho tanto quanto pelas suas notas na escola.
Em minha experiência clínica, percebo que a ausência paterna, mesmo em lares com pais presentes fisicamente é um fator recorrente no sofrimento dos adolescentes.
A ausência que dói não é só a do pai que foi embora, mas a do pai que ficou e não se conecta.
O adolescente sente quando não é prioridade, quando o diálogo não existe, quando o amor é apenas um papel desempenhado e não uma relação vivida.
O filósofo Erich Fromm, ao refletir sobre o amor, dizia que amar é um ato de vontade e de responsabilidade, não um instinto.
Ser pai é justamente isso: um ato consciente de estar.
Não se trata de ser perfeito, mas de ser presente o suficiente para que o filho saiba que pode contar, conversar e se apoiar.
Quando um adolescente inicia o processo terapêutico, a presença do pai nas devolutivas é fundamental.
Não apenas para entender o que acontece, mas para mostrar ao filho que ele é importante, que sua dor é levada a sério, que o cuidado é uma construção conjunta.
Porque a saúde mental não é apenas uma questão individual ela é um reflexo das relações que sustentam (ou enfraquecem) o sujeito.
Pai, sua presença importa!
Importa mais do que as respostas, mais do que as soluções.
Importa porque, quando você está ali verdadeiramente, seu filho entende que não precisa ser forte o tempo todo.
Que ele pode errar, se emocionar e crescer com segurança.
👨👦 A paternidade é um ato contínuo de amor e responsabilidade.
Se você é pai de um adolescente, participe.
Esteja nas devolutivas, ouça o que é dito e o que não é dito, acolha o que não entende.
E, se for difícil, procure também o seu próprio espaço de escuta.
Cuidar de si é parte do cuidar do outro.
Seu filho não precisa de um pai perfeito, precisa de um pai que esteja lá, inteiro.
