Saia da mesa
AOS MEUS PACIENTES
12/17/20252 min read


Nem todo afastamento é fuga.
Às vezes, sair da mesa é um gesto de respeito consigo.
Existe um discurso muito difundido sobre “aguentar”, “relevar”, “entender o momento do outro”. E sim, empatia é fundamental. Mas empatia não pode ser confundida com permissão para a invasão, a grosseria ou o desrespeito repetido.
A qualquer sinal claro de desinteresse, desatenção ou rudeza, retribua.
Não no sentido de devolver agressividade, mas de não sustentar um lugar que te constrange. O silêncio diante do desconforto não educa o outro — apenas o autoriza.
Limites também são formas de cuidado!
Quando alguém se permite ser inconveniente, ríspido ou abrupto, especialmente em dias difíceis, costuma justificar esse comportamento pelo próprio cansaço, estresse ou frustração. Mas dias ruins não suspendem a responsabilidade emocional.
Todos temos limites. E relações saudáveis reconhecem isso.
Impor limites não é romper vínculos, é organizá-los.
É muito comum, principalmente nas amizades, que algumas pessoas se sintam à vontade demais. À vontade para dizer o que não diriam em dias comuns. À vontade para ultrapassar o tom, o tempo e o respeito. Mas intimidade não é licença para ferir.
Amizade também exige maturidade!
Relações maduras são aquelas em que existe liberdade para rir, mas também para conversar sobre o que incomoda. Pessoas adultas não evitam conversas difíceis, elas se sentam para tê-las.
Quando há sintonia, há espaço para diálogo.
Quando há afeto, há escuta.
Quando há respeito, há responsabilidade com a forma como se fala e se age.
Se uma relação não comporta uma conversa honesta, talvez ela não esteja preparada para a profundidade que você oferece.
Sair da mesa também é escolha!
Há mesas que já não sustentam mais troca, apenas desconforto.
Há lugares onde o silêncio pesa mais do que a ausência.
E há momentos em que permanecer custa caro demais.
Sair da mesa não é desistir das pessoas, é não desistir de si.
Nem todo vínculo merece continuidade.
Nem toda convivência precisa ser mantida.
E nem toda amizade sobrevive à falta de respeito.
Respeitar os próprios limites é um ato de maturidade emocional.
E maturidade, muitas vezes, significa saber quando ficar e quando levantar.
